Olho para a rua observando cada pingo de água que se desmancha no chão, cada gota é uma lembrança, uma esperança, um amigo perdido, um lugar distante. Os olhos se sentem cansados, estão quase se fechando, mas o motivo nunca é o sono. E visto de dentro é como estar em uma cápsula do tempo, lá fora passa, aqui não. E a vontade de fugir para longe de tudo domina novamente, ou apenas é despertada. Seria bom dizer que tenho saudades quando ainda nem aconteceu, mas eu vou aguardando, um dia pode acontecer ou chegar perto disso. Tento imaginar o que se passa na cabeça alheia enquanto ainda não descobri o que se passa na minha, e a chuva continua, refletindo as cores causadas pelo impacto de um raio de Sol, e a chuva continua, molhando a rua e dissolvendo meu coração, que não rima com Sol e nem com o amor, só não está mais em condição de esperar na ilusão, por isso procura pela felicidade em outra estação. E a chuva continua afogando as mágoas ao invés de lembrá-las e torná-las reais. Viagens desconhecidas que não passam de uma mente criativa dentro de um quarto fechado. Esperando a chuva passar.
